2 DE JULHO: A guerra que não houve e precisa de uma história real.

2 DE JULHO: A guerra que não houve e precisa de uma história real.

jul 3, 2019 0 Por heliodefaria

A história da Independência da Bahia precisa ser contada sem folclore e de forma real. Nunca aconteceram as tais batalhas sangrentas descritas por alguns historiadores e pelos discursos dos diretores do IGHB durante as solenidades ao 2 de Julho e sequer há um cemitério de combatentes para, ao menos, comprovar essas teorias ufanistas. 
Estima-se que as lutas pela Independência mobilizaram algo em torno de 3 mil homens. Em Cachoeira, no 25 de junho, quando Dom Pedro I é indicado regente só morreu um soldado, e em Pirajá e Itapuã, os números são imprecisos: algo em torno de 50 a 100.

O Almirante Madeira de Mello, o português que comandava a Divisão Auxiliadora sediada em Salvador zarpou com toda sua tropa na madrugada de 2 de Julho para Lisboa e sequer foi perseguido pelo almirante Thomas Cochrane que estava com sua armada no Morro de São Paulo. Levou todo mundo e mais comerciantes portugueses em 34 navios e até hoje isso nunca foi pesquisado como se deveria. O que aconteceu com Madeira de Mello?
Quando o Exército Pacificador entrou em Salvador pela estrada das boiadas, a atual Liberdade, não havia mais ninguém. A tropa chegou esfarrapada e faminta e rezou-se um Te Deum na catedral basílica. Madeira não resistiu porque não tinha mantimentos diante da “guerra” de cerco realizada pelos poderosos da economia do Recôncavo contra a Divisão Auxiliadora. A comida e a água só deu para fazer a travessia de volta a Lisboa. 


Para se ter uma idéia do que significa uma guerra de verdade, a civil norte americana deixou um saldo de app 600 mil mortos e só na Batalha de Gettysburg (1 – 3 de julho de 1863), ocorrida nos arredores e dentro da cidade de Gettysburg, Pensilvânia, foi a batalha com o maior número das vítimas na Guerra Civil dos EUA e ponto culminante da segunda invasão do norte pelo exército confederado do general Robert E. Lee.
A vitória das forças federais é frequentemente citada, junto com a queda da Vicksburg, como o ponto de inflexão da guerra. Foram 41.625 vitimas. 

Então, louvemos o 2 de Julho, agora, dentro da real. Outra coisa: a Independência da Bahia não consolidou coisa alguma a Independência do Brasil porque a força de Madeira de Mello era mixórdia até na Bahia quanto mais para uma investida no território nacional. 
Ademais, o pai de Dom Pedro I, proclamado imperador do Brasil, não apoiava uma investida contra o filho. Estava mais interessado nas riquezas do Brasil do que de qualquer outra coisa. E, logo mais adiante, com a morte de Dom João VI e dom Antonio, Dom Pedro I abdica o trono em 1831 e volta para Portugal para ser o Rei Dom Pedro IV.


Evidente que não podemos menosprezar as lutas pela Independência da Bahia, até pelo simbolismo, mas, uma guerra, de fato, não houve. Que se sabe, o Batalhão Periquito, de Maria Quitéria, nunca lutou e ela não deu 1 tiro sequer. Foi uma tropa de observação. A morte de Joana Angélica é anterior a refrega da Independência e deu-se em 1822 após uma invasão ao Forte de São Pedro.

Fonte: BahiaJá