Corona vírus e Marajás do Brasil. Nada mudou em 30 anos.

 1. O Brasil é um país com forte desigualdade social e corrupção endêmica nos serviços públicos. É só verificar a quantidade de políticos e agentes públicos e empresários presos pela Operação Lava Jato. Até um ex-presidente da República foi engaiolado e libertado até que sejam analisados recursos em terceira instância pelo STF. 

   2. O corona virus vai expor essa realidade com maior intensidade, mas, duvida-se que mude alguma coisa. A começar pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, que continua a zombar da “gripinha”. O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, já disse que no próximo mês de abril o sistema de saúde entra em colapso.

   4. Óbvio que, num país com tantas desigualdades sociais quem vai pagar a conta mais alta serão os pobres. Hoje, não só nas favelas do Rio, mas, aqui na Bahia também, sequer tem água potável para atender algumas comunidades e uma das recomendações dos infectologistas é lavar as mãos com água e sabão. 

   5. O JN mostrou ontem que, numa comunidade favela de São Gonçalo, Rio, sequer as pessoas têm sabão. Um empresário doou um caminhão de sabão. Vê-se, pois, quão grande é o problema. Hoje, na Bahia, bombas da Embasa não funcionaram por falta de energia da Coelba.

   6. Há no Brasil uma casta intocável de servidores públicos municipais, estaduais e federais, políticos, pessoal do Poder Judiciário, pessoal do Legislativo, dos TCEs e TCMs dos estados e outros que pode ter a crise que for recebem seus salários em dia no final do mês. E olhem que, em alguns casos, especialmente no Judiciário, são salários estratosféricos muitos deles chegando a R$100 mil por mês. No Rio, há desembargadores que ganham R$150 mil mês segundo a imprensa carioca.

   7. E daí, vão mexer nesse pessoal? Nada.

   8. Hoje, vejo políticos falando nisso e naquilo, penalizar ainda mais as empresas privadas, mas, não há Projeto de Lei suspendendo sequer as mordomias dos parlamentares. A conta, mais uma vez, ficará com o setor produtivo privado empresários de vários segmentos e da população mais pobre, especialmente os prestadores de serviços. 

   9. Estima-se, somente na Bahia, que existem milhares de REDAS nos três poderes que pouco trabalham (ou sequer trabalham) mas recebem salários todos os meses. Há um dito corrente na Assembléia Legislativa da Bahia que se todos os REDAS fossem trabalhar num mesmo dia não haveria espaço, cadeiras para sentarem-se nos gabinetes. O que fazer? Nada.

   10. A estimativa do comércio só em Salvador é de uma perda em negócios de R$108 milhões dia sem contar ambulantes que são mais de 10 mil pessoas e praticam uma movimentação financeira miudinha, porém, expressiva. Quase todos vedem à vista e o dinheiro circula.

   11. A partir de hoje essa conta sobe porque os shoppings e a orla estarão fechados. Só na praia do Porto da Barra, em estimativa, existe mais de 200 pessoas que vivem do comércio e serviços praianos. Há, ao menos, quatro grandes revendedores de bebidas e alimentos, hoje, todas paralisadas. Óbvio, segundo especialistas em infectologia, que precisam ser fechados. E quem paga a conta?

   12. Os infectologistas são técnicos que não observam o outro lado da pandemia. O problema não pode ser resolvido ouvindo apenas os médicos infectologistas, pois sabemos o que eles dirão a partir do seu específico conhecimento científico. Tem-se que ampliar o debate, e rápido. A questão é que não dá mais tempo. A paralisação das atividades e da economia nos demais segmentos da sociedade são gravíssimas. 

   13. Não temos tecido social para suportar isso. O Brasil não tem a economia da Itália, da França e da Espanha. Muito menos a organização que esses países têm. Na Itália, ontem, morreram 793 pessoas por corona virus e os estatísticos apontam que nossa curva de expansão do pátogeno se parece com o da Itália.

   14. Dias gravíssimo virão. Exceto, para os marajás dos serviços públicos. Em 1989, Fernando Collor de Mello já falava deles e ganhou as eleições presidenciais. De lá para casa, mais de 30 anos depois, nada mudou. Nem vai mudar. Daí que, nos dias atuais, o maior desejo de um brasileiro não está no empreendedorismo e sim ingressar nos serviços públicos municipais, estaduais e federal, de preferência no Judiciário, casta de intocáveis.

 

 

 

One Reply to “Corona vírus e Marajás do Brasil. Nada mudou em 30 anos.”

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