Capitão de navio morre a bordo e tripulação fica presa no mar por semanas

O capitão Angelo Capurro começou a manifestar sintomas de Covid-19 no segundo dia no mar. Dentro de cinco dias, o comandante de 61 anos ficou confinado na cabine, incapaz de sair da cama. 

Seis dias depois, ele morreu — deixando o navio cargueiro MV Ital Libera sem um timoneiro, carregando um cadáver que a tripulação não tinha como armazenar e com um possível surto de Covid a bordo.

Por seis semanas, a embarcação com bandeira italiana ficou na costa da capital da Indonésia, Jakarta, sem conseguir encontrar um porto que aceitasse um cadáver durante a pandemia, apesar dos pedidos repetidos por assistência.

Finalmente, neste mês, o corpo do capitão foi retornado ao país natal dele, a Itália, onde a família enlutada está buscando respostas sobre a morte e o tratamento dele no mar, em um caso que novamente direcionou os holofotes para as condições dos navegantes durante a pandemia. 

Recuperar o corpo, porém, pode não fornecer as respostas que a família espera. Não havia lugar adequado para manter um cadáver no Ital Libera, o que significa que o corpo de Capurro ficou numa sala de armazenamento por seis semanas. 

“Sem entrar em detalhes, todos sabemos qual era o estado que encontramos”, disse a advogada da família, Rafaella Lorgna. “Não sei nem se poderemos fazer uma autópsia.”

Capurro trabalhou no oceano durante a vida toda, tanto em navios cargueiros quanto em linhas de cruzeiro. A mulher dele, Patricia Mollard, 61, o seguiu ao redor do mundo aonde quer que ele fosse por trabalho. Eles se conheceram jovens e “viviam um para o outro”, disse Lorgna. “Só posso imaginar o sofrimento dessa senhora”. O casal vivia em La Spezia, um porto na riviera italiana, com o filho e a filha adultos morando nas redondezas. 

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